Boa Noite!

 

Meus cumprimentos, antes de mais nada, ao Ilmo. Diretor Geral da Faculdade Cambury, Dr. Goiazin Zani de Morais; Ilma. Chefe de Gabinete, Sra. Clélia Maria Vecci; Ilmo. Coordenador Acadêmico, Sr. Valdir Inácio do Prado Júnior; Ilma. Chefe da Escola de Direito, Sra. Neire Divina Mendonça, pessoas em nome das quais cumprimento as demais autoridades presentes.

 

Prezados Formandos, estimados parentes e convidados presentes, boa noite! Em nome da Escola de Direito da Faculdade Cambury e em nome dos Formandos, agradeço o comparecimento de todos os presentes a esta solenidade, uma vez que todos vocês contribuíram sobremaneira para a conquista deste júbilo. Aos parentes próximos, de convívio, nossos préstimos mais auspiciosos, pela força, pela fé e pela paciência, vez que sabidamente, nos últimos cinco anos, tiveram que compartilhar seus entes queridos com os livros, com a internet, com os grupos de estudo.

 

Aos professores da Turma, meus grandes colegas de jornada, presentes ou não, meus sinceros agradecimentos e minha confissão de estima, respeito e adoração. A par da honrosa presença de todos que acabei de cumprimentar e agradecer, peço-lhes vênia para dirigir minhas singelas palavras àqueles que são os donos da noite, os nossos Formandos, afinal de contas, é por eles, e para eles, que estamos todos a celebrar.

 

Desde o momento em que recebi o convite para ser o Paraninfo desta Turma, senti-me lisonjeado, literalmente prestigiado. Imediatamente fui acometido pelo nobre e reconfortante sentimento do “dever cumprido”. Era, naqueles segundos que se sucederam, a “cereja do bolo”, o ápice da carreira de um docente. Senti-me grande, envaidecido. Como se tivesse alçado um alto vôo e atingido lugares onde poucos haviam pisado, e que há muito eu, com praticamente uma década de carreira docente, tanto sonhara. Mas logo eu, pensei! EU, que já havia sido homenageado noutras ocasiões, por outros ex-alunos, sentindo-me tão realizado daquela forma! Haveria um motivo especial? Uma razão diferenciada?

 

Nossa! Como há motivos especiais! Não se tratam apenas de ex-alunos que estavam por homenagear-me. São amigos, são parte de um todo. Compõem a minha história. Representam o mais puro e sincero sentimento da Escola de Direito da Faculdade Cambury, cujos objetivos eu ajudei a trilhar. Em seus reflexos, nobres Formandos, estão estampados os sonhos almejados por todos os atuais alunos da Escola de Direito da Faculdade Cambury, quiçá de qualquer faculdade de direito deste país. Vocês, cidadãos de bem que eu tanto aprendi a respeitar e admirar estavam, num momento ímpar de suas vidas, escolhendo-me para declamar algumas palavras de amor, de amizade, de responsabilidade.

 

Não poderia ser diferente, a emoção toma-me o peito de entusiasmo, como se não fosse caber dentro de mim o orgulho de ter feito parte da construção acadêmica de cada um de vocês. Com todas as minhas precariedades, minhas falências e vícios, ainda assim fui lembrado, com a benesse de ser, o Paraninfo da Primeira Turma de Formandos da Escola de Direito da Faculdade Cambury. Era o bastante sim, havia plurais motivos para eu estar orgulhoso. Logo após a natural euforia, a adrenalina tomou o meu corpo como se quisesse lembrar-me da concomitante responsabilidade que viera juntamente com a honraria. Atônito, comecei, ainda dentro do carro, a confeccionar as frases, juntando aleatoriamente as palavras, ao vento, como se fosse possível, senão necessário, que o meu discurso estivesse pronto, acabado, infalível, emocionado. Como de costume comecei a refletir sobre o meu papel enquanto educador, enquanto professor, enfim, enquanto profissional inserido neste círculo de educar, de formar e de criar, acima de tudo, cidadãos de bem. Conclui que talvez, e apenas talvez, estes nobres Formandos quisessem, também, demonstrar que pelo menos satisfatoriamente eu havia alcançado a solene missão de transmitir o conhecimento de maneira ética, e a contento.

 

Irresignado que sou, ou melhor, que somos! Inquieto e desconfortável pela ignorância, fui buscar o significado da palavra “Paraninfo”, a fim de aclarar-me quanto ao real e verdadeiro objetivo da honraria. Dentre as definições encontrei duas que me chamaram a atenção, a primeira, clássica que é, refere-se ao significado etmológico da palavra, que vem do grego e significa “padrinho”, aquele responsável por “arcar”, inclusive com os custos. Logo percebi que precisaria de outra definição, afinal de contas, “arcar com os custos” não seria, assim, um de meus predicados, até porque, dentre os demais professores, conheço outros tantos com esta aptidão, digamos, mais aguçada do que a minha, como é o caso do solidário Professor Djalma ou professor Marcelo de Moraes. A segunda definição, mais moderna, portanto, mais parecida comigo, refere-se ao papel do professor Paraninfo, aquele escolhido pelos alunos para dar uma última lição, quer porque é simplesmente querido, quer porque tem o dom da oratória, ou, ainda, porque colhe entre os Formandos certa unanimidade, vez que seus discursos e atitudes representam os anseios e expectativas daqueles que estão a Colar Grau. Assim sendo, neste paradoxo de sentimentos, levado pela emoção e pelo medo, pelo entusiasmo e pela cautela, pela euforia e pela responsabilidade, aceitei com muito orgulho o convite de ser Paraninfo da Primeira Turma de Formandos da Escola de Direito da Faculdade Cambury.

 

Cora Coralina dizia: Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir. Vocês, nobres Formandos, decidiram por enfrentar, e seguiram destemidos na batalha acadêmica. Enfrentaram, por exemplo, as sádicas ameaças do brilhante professor Marcelo Alcântara; enfrentaram as temidas e apavorantes provas da renomada professora Alessandra Nardini; enfrentaram as maluquices do gênio da didática professor Júlio Anderson; enfrentaram as filas para dialogar com a nossa Chefe de Escola, a magistral e admirada professora Neire Divina Mendonça, enfim, enfrentaram e venceram cada uma das batalhas que lhes foram impostas, de cabeça erguida, levando consigo o mais valoroso dos bens, aquele que a ninguém foi dado o poder de retirar-lhes, qual seja, o conhecimento, é claro!

 

Certa feita afirmou Henry Ford que: “os obstáculos são aquelas coisas terríveis que você enxerga quando perde o foco no objetivo principal”. Pois o que seria este momento, senão a prova inconteste, documental, registrada, que todos vocês tiveram foco. Nestes últimos três anos em que estive vinculado à Faculdade Cambury, guardarei do convívio fraterno e inesquecível aqui vivenciado, no fundo do meu coração e pelo resto de minha vida, as melhores lembranças e as mais gratas recordações, a par de imensa saudade dos meus diletos amigos, hoje Formandos, fico com a certeza de que as amizades aqui sedimentadas perdurarão pelos tempos. É certo que o valor das coisas também se assenta na intensidade com que elas acontecem. Por isso mesmo existem momentos surpreendentes e marcantes, como este agora, ou como o carinhoso afago que recebi do meu amigo e Formando Aldo de Oliveira Gomes, quando abruptamente fui levado ao chão, pela traição do braço de uma insolente carteira. Nunca mais me esquecerei, arrepio só de lembrar!

 

Conheci nestes anos várias personalidades. Nunca me esquecerei do número do telefone do Formando Matheus Vieira Silva, cuja dedicação aos estudos e perspicácia característica lhe impõe um dever, de atender as dúvidas dos próximos. Também, caso esqueça o telefone, perguntarei ao Cleber Antônio Flores e Silva, pessoa de tão elevada estima e confiança que abri as portas de meu escritório, hoje à sua disposição. Conheci as pessoas que poderiam ser, em breve, minhas advogadas, Dra. Tatyane Rodrigues de Paula Silva, Dra. Nágilla Reila de Souza Soares, Dra. Juliana Dias, com as quais torço para nunca ter de enfrentar numa audiência. Propositadamente, quer pelo tempo, quer pelo cansaço do próprio discurso, não falarei de todos. Cada um teve o seu papel, o seu brilho, como as peças de um relógio que para fazê-lo funcionar demandam a perfeita sintonia, todos vocês foram indispensáveis. Aflijo-me pelos que ficaram no caminho, meu amigo Anapolino, meu amigo Helber Natal, e outros. Sinto suas faltas!

 

O Juiz de Direito de Goiânia, Dr. Ari Ferreira de Queiroz afirma que: O caminho para o sucesso é tortuoso e só quem tem disposição para enfrentar as tribulações do tempo e intempéries de toda sorte será vencedor. O trabalho honesto acima de tudo, a força de vontade inconteste, a seriedade, o dinamismo e o definitivo não à preguiça e à desorganização, são as chaves para vencer a corrida a que muitos se lançam, mas poucos sequer saem dos primeiros passos. Olhe ao seu redor e aos seus círculos de amizades e de colegas de escola e de trabalho e veja que os vencedores não o foram por acaso. Desculpas, como a falta de tempo, por exemplo, a mais comum das justificativas para a falta de fibra, não superam obstáculos. No máximo, servem para satisfazer o sentimento íntimo e transmitir a falsa sensação de só não ter feito mais, por não poder. No mercado de trabalho a seleção é natural e os concorrentes não perguntam se você teve, ou não teve tempo. Nunca busque justificativas para as falhas. Reflita sobre elas e, se quiser ser um vencedor, corrija-as. Vocês já são vencedores! São os meus Vencedores! Opondo-se a ti, nobres Formandos, opõem-se a mim!

 

Hoje se encerra uma fase, um ciclo, como tantos que já se passaram e como tantos outros que ainda virão. O Direito agradece a colaboração de vocês, mais que isso, aguarda vocês. Tenham certeza que nossa sociedade esta afoita por vê-los ativos, trabalhando, aplicado os ensinamentos que de hoje em diante vocês são os responsáveis por repassá-los, retransmiti-los. Sejam os formadores de opinião que a sociedade inteira espera de vocês, mostrem-se, submetam-se e provem-se. Apliquem o Direito com o mais abalizado preceito ético. Sejam éticos, não só no discurso, mas também nas atitudes. Façam da ética uma bandeira. Nós precisamos disso. Conquistem, abracem o mundo, não tenham vergonha de captar causas, de obter lucros, de estudar para galgar uma vantajosa carreira pública. Sonhem alto, procurem uma vida melhor, mais confortável para vocês e para seus pares. Só não permitam que esta ambição torne-se desmedida, e extrapole os limites principiológicos, aqueles que vêm de berço, não se deixem apequenar, não vale à pena.

 

O ciclo da Graduação, outrora utópico, encerra-se hoje, real, com méritos e com louvor, outros iniciarão, novos cursos virão, para alguns até mesmo de graduação, para outros apenas de pós-graduação. Animem-se, entusiasmem-se. Tenham consciência da dimensão de suas conquistas, mas tenham a humildade de perceber que o apogeu ainda está longe. Portanto, estudem mais, atualizem-se. Enfim, recebam as expressões mais afetuosas que traduzem o meu grande apreço por todos vocês, aos quais saúdo com franco carinho. Abraço e felicito a todos, a cada um de vocês, nobres Formandos, querendo-os tão bem como sempre, querendo-os tanto quanto posso.

 

Por sorte não me resta um adeus, mas apenas um até breve, até qualquer hora, e desejar-lhes as coisas boas, o melhor da vida, ótimos desafios e significativas e proveitosas vitórias e conquistas. Que as forças superiores os pretejam, os iluminem, e os guiem pela retidão e pela ética! Caros Formandos, obrigado, por tudo!